
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu suspender a inspeção que seria realizada no Banco Central no âmbito do chamado caso Master. A medida foi tomada nesta quinta-feira (8) pelo ministro Jonathan de Jesus, relator do processo, após o acolhimento de um recurso apresentado pelo BC.
No despacho que formalizou a decisão, o ministro argumenta que a ampla repercussão do caso extrapolou o caráter técnico da providência inicialmente prevista. Diante disso, avaliou que a controvérsia deve ser analisada pelo plenário do tribunal, instância considerada mais adequada para dar uma resposta institucional ao tema.
A suspensão representa um recuo da Corte de Contas em relação à decisão adotada na semana anterior, quando havia sido determinada uma inspeção para revisar os elementos que embasaram a liquidação do Banco Master. O Banco Central contestou a medida, alegando que esse tipo de deliberação deveria passar por um órgão colegiado do TCU.
Inicialmente, a discussão envolveria a Primeira Câmara do tribunal, mas o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, optou por encaminhar o caso diretamente ao plenário. A decisão ocorreu em meio ao aumento da tensão interna no tribunal, provocado pela divulgação de que influenciadores digitais teriam sido contratados para publicar conteúdos nas redes sociais criticando o Banco Central e defendendo o Banco Master.
A revelação levou a Polícia Federal a anunciar a abertura de um inquérito para apurar quem financiou essas contratações. Nos bastidores do TCU, a avaliação é de que a ampliação da polêmica envolve múltiplos interesses e pode impactar a imagem da instituição.
Para integrantes da Corte, a análise pelo plenário tende a conferir maior legitimidade e peso à decisão final, independentemente do desfecho, reduzindo o risco de novos questionamentos e críticas ao papel do tribunal no caso.
