
O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia está diretamente relacionado à estratégia de conter o avanço da China no Ártico, segundo especialistas em relações internacionais e geopolítica. O objetivo central seria ampliar o controle sobre rotas marítimas que tendem a ganhar importância com o derretimento das calotas polares, impulsionado pelas mudanças climáticas.
O Oceano Ártico conecta a Ásia, a Europa e a América do Norte e, nas próximas décadas, pode se tornar uma alternativa mais rápida e barata para o transporte de mercadorias. Estudos indicam que a abertura dessas rotas pode reduzir significativamente o tempo e os custos do frete marítimo, alterando a dinâmica do comércio internacional.
Nesse contexto, a crescente presença da China na região preocupa Washington. Em 2018, Pequim passou a se definir como um país “quase-ártico” e vem ampliando sua atuação no Ártico em cooperação com a Rússia. Para analistas, essa movimentação busca reduzir a dependência chinesa de corredores estratégicos controlados pelos EUA, como os estreitos de Malaca e de Gibraltar.
Especialistas destacam que, embora os Estados Unidos mantenham forte influência sobre o Atlântico e o Pacífico, sua presença no Ártico ainda é limitada. O controle da Groenlândia permitiria ampliar capacidades militares, de vigilância e de dissuasão, reforçando a atuação da Otan na região e dificultando o avanço sino-russo.
Relatórios recentes do Departamento de Defesa dos EUA ressaltam a importância estratégica do Ártico diante do cenário internacional atual, marcado pela guerra na Ucrânia, pela expansão da Otan e pela intensificação da cooperação entre China e Rússia. A Rússia, por sua vez, detém mais da metade do litoral ártico, o que lhe garante posição privilegiada sobre a principal rota marítima da região.
Território semiautônomo ligado ao Reino da Dinamarca e com cerca de 56 mil habitantes, a Groenlândia voltou ao centro do debate internacional após declarações do presidente Donald Trump defendendo sua anexação, sob o argumento de segurança nacional. A posição gerou críticas de aliados europeus e reacendeu discussões sobre soberania e estabilidade internacional.
Para analistas, o episódio revela uma disputa cada vez mais intensa pelo controle de áreas estratégicas em um mundo em transformação, no qual mudanças climáticas, comércio global e poder militar se entrelaçam no redesenho da geopolítica internacional.
