O preço do passado no Beira-Rio

Zagueiro foi um dos pilares do Inter nos últimos anos . foto: Ricardo Duarte

A saída de Vitão escancara, de forma cada vez mais clara, o buraco financeiro em que o Internacional se encontra. A dívida cresce ano após ano, e os problemas projetados para 2026 parecem não ter fim. A proposta apresentada pelo Cruzeiro é sensivelmente inferior àquela feita anteriormente pelo Betis e também distante do valor que o Inter desejava arrecadar com a venda do defensor. Ainda assim, a necessidade de fazer caixa fala mais alto. Em um cenário de urgência, os valores envolvidos, somados à chegada de jogadores em troca, passam a ser tratados como um mal necessário na tentativa de iniciar uma retomada no próximo ano.

O elenco atual é caro e não entregou resposta em campo. Muito pelo contrário, levou o clube a flertar perigosamente com o rebaixamento. As mudanças, portanto, eram inevitáveis. O departamento de futebol foi praticamente todo reformulado, com a chegada de Abel Braga e Pezzolano, agora responsáveis por dar uma nova identidade ao Internacional em 2026. A missão está longe de ser simples: além de fazer o time jogar, será preciso criatividade no mercado, já que poucos reforços devem chegar e cada decisão precisará ser cirúrgica.

O Internacional entra em 2026 pressionado pelo próprio passado recente. Não há espaço para improvisos, erros recorrentes ou promessas vazias. A reconstrução exigirá paciência, lucidez e coragem para lidar com a realidade antes de tentar mudá-la. Se discurso e prática finalmente caminharem juntos, o Inter pode ao menos estancar a sangria e recuperar competitividade. Caso contrário, o futebol, como sempre, tratará de cobrar a conta.