
Os Estados Unidos anunciaram, na noite desta sexta-feira (14), uma redução parcial das tarifas de importação aplicadas a produtos brasileiros como café, carne, açaí e manga. A medida revoga apenas a taxa de reciprocidade de 10% implementada pelo presidente Donald Trump em abril, mas mantém a sobretaxa adicional de 40% imposta em julho — que segue sendo o principal entrave às exportações do Brasil.
A decisão gerou dúvidas iniciais entre exportadores, que buscavam entender a extensão da flexibilização. Horas depois, o Ministério da Agricultura esclareceu que o alívio tarifário vale exclusivamente para o primeiro conjunto de taxas, deixando intocada a segunda etapa do tarifaço. Em declaração à imprensa, Trump classificou a medida como um “pequeno recuo” e afirmou que a redução deve ajudar a conter o preço do café no mercado americano, pressionado pela inflação.
A movimentação ocorre após semanas de negociações entre Brasil e Estados Unidos, intensificadas desde o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, na Malásia. Na quinta-feira (13), o secretário de Estado Marco Rubio e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, voltaram a discutir o tema em Washington. O governo americano atribui a mudança a fatores como demanda interna, capacidade de produção doméstica e andamento das tratativas bilaterais.
Com o anúncio, a Casa Branca atualizou a lista de produtos com algum nível de isenção tarifária, incluindo agora café e carne — duas das principais exportações brasileiras ao mercado americano. Antes da mudança, apenas itens beneficiados em julho, como o suco de laranja, estavam contemplados. A redução passa a valer para mercadorias desembaraçadas desde quinta-feira (13).
A decisão foi recebida com otimismo moderado no Brasil. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificaram o recuo como positivo, mas reforçaram a necessidade de continuar negociando para aliviar tarifas ainda vigentes. O setor produtivo também reagiu. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) celebrou a medida, destacando que a previsibilidade volta a favorecer o comércio e a estabilidade das vendas para o segundo maior mercado da carne bovina brasileira.
Já a Abrafrutas manifestou preocupação com produtos que ficaram de fora da flexibilização, especialmente a uva — segunda fruta mais exportada pelo Brasil aos Estados Unidos. Segundo a entidade, o setor vive um momento delicado: no terceiro trimestre deste ano, as exportações de uva para os EUA caíram 73% em valor e quase 68% em volume na comparação com 2024. Para a associação, a ausência de alívio tarifário agrava os desafios enfrentados pelos produtores.
Apesar da redução anunciada, o grande impacto sobre o comércio exterior brasileiro permanece concentrado na tarifa extra de 40%, ainda em vigor e alvo das próximas etapas de negociação entre os dois países.
