Sábado, 20 de julho de 2024

Por um futebol sem sombras

Em algum lugar desse ou de outro universo a CIA está tentando matar Fidel Castro. Provavelmente no céu Eduardo Galeano ainda digita, nem que seja para especular sobre as peripécias da Central de Inteligência Estadunidense em relação ao líder do regime ditatorial e debocharial cubano.

Quando Galeano lançou Futebol ao Sol e à Sombra, em um estilo por demais uruguaio de enaltecer o futebol, o Brasil era recém saído de um jejum. Jejum igual ao que teremos quando chegarmos na próxima Copa do Mundo. Não éramos tão claramente a pátria de chuteiras, estamos galvanizados em nosso complexo de vira-latas, só para variar.

Certamente o futebol não é mais o mesmo desde os anos 90, nem mesmo segue igual ao que era em 2015, ano do falecimento do líder cultural charrua e autor do livro que inspira esse singelo e nada humilde escrito. Em 2015, Neymar poderia ter sido eleito o melhor do mundo, foi o principal jogador da Champions League na fase de mata-mata que consagrou o Barcelona pela última vez campeão da Europa.

Em 2016, uma das bandas mais politizadas do rock nacional, o Dead Fish, completou 25 anos e na gravação do DVD comemorativo da data, o vocalista Rodrigo Lima disse o seguinte antes de executar a canção Contra Todos: “O futebol brasileiro acabou! Neymar JR é uma piada! A CBF é um lixo! Fundem seus clubes, fundem suas ligas, vamos retomar o futebol!”.

O futebol brasileiro como eu conheci acabou faz tempo. Com essa enxurrada de estrangeiros de qualidade duvidosa, com nosso pé de obra qualificado na Europa em sua vida útil mais cara, com a gourmetização dos estádios, e tantos outros problemas que a higienização do futebol causa em toda a massa torcedora, que já não pode mais ser adepta, pois lhe falta dinheiro.

De fato Neymar JR virou uma piada. Profético Rodrigo Lima! Um arremedo dele mesmo. Um atleta consagrado com atitudes de sub-celebridade. A CBF a cada dia que passa se torna mais vergonhosa. Se eu tivesse idade e paciência fundaria clubes e ajudaria a criar ligar. Que os jovens assim o façam e nos livrem do cemitério do futebol chamado Era das SAFs.