Sábado, 20 de julho de 2024

Os Sofrimentos do Jovem Que Não Ia À Goethe

Este texto não é sobre futebol. Este texto é sobre a vida. A vida da qual Werther desistiu após uma desilusão amorosa. Provavelmente o primeiro suicídio literário que virou hit e gerou escândalos centenários e geracionais. Johann Wolfgang Von Goethe, também autor de Fausto e inventor de Mefistófeles, trazia ousadia, melancolia e provocação em seus textos.

Os Sofrimentos do Jovem Werther é que data de 1774. No entanto, de datada, ela nada tem. Até hoje as pessoas sofrem por amor, se apaixonam, se iludem, e nutrem sentimentos ambíguos que se tornam mágoas e acabam por virar pensamentos mal resolvidos que vão nos acompanhando até a pulsão de morte, definida e estudada por Sigmund Freud.

Este nem tão jovem que vos escreve conheceu Goethe e a Avenida Goethe no mesmo ano. O glorioso ano de 2006. Ano da redenção do povo colorado, e da vitória máxima do bem contra o mal no meu mundinho particular e maniqueísta que queria vingança desde 1996, quando meu Tio Gordo (não o do Jaconi), me disse que eu nunca comemoraria um título.

Fui forjado no sofrimento, nas derrotas, nos amores platônicos e outras enganações cotidianas. E tudo ia de mal a pior, ou melhor dizendo, tudo ia muito bem, pois a mim cabia o papel de maldito, de perdedor, de odiado, ou até mais cruel, o da indiferença e insignificância contumaz.

Até que eu ouvi demais Los Hermanos e acreditei demais nas letras e ainda mais tive a confirmação das minhas suspeitas ao ler Criminologia Cultural & Rock, de que a falta de vontade de vencer era uma espécie de protesto da nossa geração, herdeiros legítimos da ressaca do flower power, etc e tal.

Mas voltando a Goethe, o supremo pecado é a leviandade dizia Oscar Wilde, e ter pensamentos ruins é aceitável e compreensível. Tomar o ato extremo é muito mais comum do que a gente imagina. Então, se e quando precisar, pede ajuda, liga pros amigos, pro CVV e tenha a sorte de conhecer a Sarah. Enfim, resista até a última bota na sua garganta.