Domingo, 16 de junho de 2024

(Des)Almados Fotogênicos

Em 1890 eles já roubavam almas. No ano da publicação original do Retrato de Dorian Gray porém, nem todos devessem saber de que o supremo pecado é a leviandade. E que tudo que se pensa está certo. As fotos sempre foram o temos de Dorian.

Aquele registro que pode parecer perfeito poderia ser usado para ludibriar e aprisionar uma pobre alma. Uma alma bela e juvenil como a de Dorian Gray. Como sempre seria e se refletiria em seus amores, o de Oscar Wilde. Viva a inocência, o medo do desconhecido e o perigo dos sons mais ríspidos.

Quando li a primeira esse romance. Lembrei da minha implicância em tirar fotos. Da dificuldade em sorrir, do não me sentir fotogênico. Do saber não transparecer o que realmente sinto e o que realmente eu sou por meio de telas. A não ser que estas sejam as do computador, que me permite dedilhar essas teclas intempestivamente.

É sem dúvida uma obra intensa e digna de releitura, com qualidade e assertividade no escrever e descrever as personagens envolvidas. Pobre Oscar cometeu seus erros na vida. Passou um tempo guardado. Longe da sociedade, se reabilitou e se tornou imortal por meio de sua escrita ferina e ferida.